segunda-feira, 30 de maio de 2011

Quando eu perdi alguém muito importante, e nem sabia...

Olá pessoal,

No dia 26/05, li esse texto no blog da Nina e me comovi profundamente com ele. Acredito que seja uma lição de vida... Muitas vezes nos ferimos ou magoamos com pessoas que amamos muito e acabamos nos afastando delas. Porém, somos todos seres humanos e erramos, magoamos, ferimos...
Pedi para a Nina se poderia postar o texto dela na íntegra aqui em meu blog e ela permitiu...
Obrigada, Nina!!!
Segue o texto abaixo: leiam e reflitam... Vale a pena!!!

Quando eu perdi alguém muito importante, e nem sabia...

"...O texto que fiz pra Norma me fez pensar em outras coisas. Em outras perdas. Como as pessoas nessas postagens especiais com a Norma, escreveram mais sobre perdas que eram relacionadas com morte, sinto vontade de falar sobre uma em particular. Uma morte ocorrida antes mesmo de haver a morte propriamente dita. 

É sobre meu pai.
Sabe quando você percebe, infelizmente, tarde demais, que  talvez tenha perdido coisas fantásticas?? É assim que às vezes, eu me sinto quando penso no meu pai, que o perdi antes mesmo dele ter partido. E isso é  lamentável demais. Por orgulho eu me distanciei do meu pai, tinha receio de não ser importante pra ele e por isso não o procurava estando sozinha, só com minhas irmãs por perto. Me sentia tão insegura, só em pensar em estar com ele e não ter nada a oferecer. Na minha cabeça ele só se interessaria em estar perto de mim se eu estivesse com as suas outras filhas, eu sozinha não teria nada de interessante, nada de bom. Por isso o evitava. Eu coloquei meu pai num ambiente separado na minha vida, como se fosse um quadro empoeirado que você não quer mais na sua parede e o coloca numa caixa velha debaixo da cama. Por orgulho. Ele, sem notar, na minha juventude, me magoou e eu, má e orgulhosa, não sabia como perdoá-lo, como chegar até ele. E foi ficando assim. Ele pra lá e eu pra cá. Cheguei num ponto que já não sabia como tê-lo de volta. Nossos encontros eram anuais, e havia anos que eu não o via. Não tinha raiva, mas tinha distância. Ele se tornou um estranho pra mim. Falar com meu pai era como se não tivéssemos nada em comum, mesmo tendo... temos uma linha na mão, sou a única dos 10 (acho que é isso, 10) filhos dele que tem a marca de nascença dele. Quando eu era pequena, ele se orgulhava, pedia pra eu mostrar minha mão aos amigos. E tínhamos muito mais em comum, mas eu não sabia...
Não o convidei pra minha formatura na universidade, nem mesmo  coloquei o nome dele como meu pai no convite (não sei qual a razão, não lembro, a minha memória apagou isso). Mas o nome dele não está lá! Não está no meu convite e hoje, quase 6 anos após sua morte, eu me sinto tão mal com isso. No lugar dele tem o nome do marido da minha mãe. Não sei porque eu fiz isso, essa idiotice tremenda, essa falta de respeito absurda!! Lembrei de chamá-lo pra festa na última hora, porque minha mãe me deu a dica. Eu liguei pra ele e ele topou ir na mesma hora, ficou todo feliz. Mas depois de algumas horas me ligou avisando que o carro deu prego, não pode ir... tadinho.
Eu mereci sua ausência na minha festa.
Mas ambos não merecíamos nossa ausência mútua durante nossas vidas aqui nessa terra.
Tantas coisas podíamos ter vivido, tantas coisas repartidas. Papai, apesar de ausente na nossa adolescência, vinha sempre muito alegre nos ver em nossos encontros. E era sempre tão bom estar com ele, ele vibrava com a gente, mostrava feliz partes da sua vida que não conhecíamos, falava rápido, engracado, era um brincalhão meu pai, à sua maneira carinhoso até...


No dia de seu enterro, falando com uma das minhas meio-irmãs, ela contava dele, dele a defendendo do marido ruim, que queria bater nela. Dele ausente na sua vida, mas mostrando ao marido da minha irmã que ele tava ali, pronto pra defendê-la. Esse pai eu não conheci! E eu sinto tanto...
Não sabia que ele me fazia falta, até a hora de sua partida. Foi ali, no seu leito no hospital, que notei o quanto eu amava muito o meu pai. O quanto de limpeza e leveza e grandeza  meu coração era capaz de sentir ali, olhando pra ele sem cabelos, cheio de tubos, respirando com ajuda de máquinas, com o corpo morto, em coma,  mas certamente, com a alma desperta, me ouvindo lembrar da nossa infância. Agradecida. Esqueci de tudo, de sua distância, das coisas que aprontava com nossa mae, quando casados,  da separacao da gente, da falta que ele nos fez. Falei de amor, do nosso amor por ele e agradeci nossas idas aos parques, ao cinema, às pracinhas, da nossa infância feliz com ele.
Se eu tivesse tido essa sabedoria antes daquele fatídico dia, talvez as coisas tivessem sido diferentes.
Eu soube disso ao ver sua lágrima escorrer grossa e lentamente. Meu pai quase morto soube do meu amor por ele. E então, ele se foi.  Mais ou menos umas 6 horas depois do nosso encontro na UTI.
...
...
Um mês depois de sua morte, minhas amigas cansaram de me ver triste em casa e  insistiram pra que eu fosse a um show. Tinha o Fábio Júnior como convidado e na hora que ele cantou essa música, me distanciei pra chorar minhas dores e minha saudade, quieta. Tinha um bocado de gente em volta, ninguém reparou nas minhas lágrimas. Minhas amigas se aproximaram, me abraçaram, ficamos juntas. Não tinha como evitar. Agora mesmo, nesse instante, não tem como evitar...
...


Já falei do meu pai aqui.

Então, pra que esta postagem?????
É pra você querida (o) que está lendo isso e tem um pai, uma mãe, um irmão, um amigo, que você muito ama e que colocou de lado, empoeirado, por orgulho, por mágoa. Não deixe que a poeira tome conta... não deixe... por favor, não faça isso consigo mesmo, a dor que fica, se você nada fizer, é muito longa e dolorida. Se eu puder te dar um conselho: Procure! Mostre que você se preocupa. Tente. Faça sua parte. Engula o orgulho. E faça!!! Não ligue se vão rir de você, se vão te tratar mal, se vão fechar a porta na sua cara. Não ligue. 
Permita-se. E deixe seu coração ficar leve... enquanto há tempo :-( "




Nina Sena 


http://entremaeefilha.blogspot.com
http://cronicasdeumameninafeliz.blogspot.com




Lívia.

6 comentários:

Mari Hart disse...

Super me identifico com o texto e o conteúdo dele e hj penso igual. Fui afastada do meu pai biológico na infância pela minha mãe e depois que cresci não tive a força p/ ir atrás dele saber a versão dele da história apesar da procura dele. E então, não mais que de repente, ele morreu, jovem, na mesma de jantar de um infarto fulminante. E ficou o vazio, do que poderia ter sido e não foi. É uma dor, e qdo ela estiver melhor cicatrizada falo sobre o assunto no meu blog tb!

Bjão!

Priscila disse...

ola querida..tem selinhos p vc la no blog..bjus

MÃE DO GUI disse...

Texto lindo li.
Estou numa fase assim, deixando algumas pessoas de lado e empoeirando, isso não faz bem!!!
Vou começar por aqui, pelo blog e dar atenção a todos que eu sigo e gosto! Se eu demorar de passar por aqui, vai lá e me dá uma bronca viu?

Bjo e boa semana

MÃE DO GUI disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Ilana Galhardi disse...

OI, Li,
lindo mesmo o texto de sua amiga!
Temos que tomar muito cuidado com isto, pois acho muito triste nos arrependermos de não demonstrar nosso sentimento as pessoas. E perdoar é difícil, mas se não o fazemos o maior prejudicado somos nós mesmos!

bjos

Nina disse...

Oi Li, de nada :-)

Espero que ajude alguém a perceber o erro em ficar afastado, mts vezes, por pequenas tolices, bobagens, mentiras, fofocas, mágoas que podem ser perdoadas, com talvez um olhar, um abraco que possam ter o poder de consertar o que havia de ressentimento.

Às vezes pode ser tarde demais, como "quase" foi com meu pai, e fica só o arrependimento do ato nao feito... E isso ninguém quer, nao é?

O depoimento da Mari Hart mexeu comigo tbm. Tem coisas que as próprias maes tem certa culpa, qd falam mal dos pais da gente p ex,e nem sabem o qt podem nos ferir e afastar daqueles que tanto precisamos por perto, nossos pais :-(

Um bj com carinho